quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

EVANGELHO ANAL - APOCALIPSE, JÁ!

Messias MáShYaH משיח

Até que me provem o contrário, o que segue pode ser considerado uma mensagem apocalíptica, escatológica, oculta nas entranhas da palavra Messias, e que eviscerei através de análise combinatória, etimológica, semântica e quântica das letras, além de considerar as relações entre palavras cognatas. Como todos sabem, Apocalipse significa Revelação. E a revelação que se faz aqui é a de um Evangelho anal.

A palavra MESSIAS, em hebraico, משיח MáShYaH, significa ungido, consagrado, escolhido, eleito, e provém do verbo MáShaH, משח, que significa ungir, besuntar, consagrar. Vincula-se aos substantivos משחה MiShHáH, ungüento, pasta, pomada, e שמחה SiMHáH, festa, ocasião festiva; alegria, regozijo. Permutei as letras do verbo משח MáShaH e obtive outro, שמח SiMMaH, causar alegria ou prazer, fazer feliz; além do adjetivo שמח SáMeH, alegre, contente, jubiloso, e do substantivo חמש HoMéSh , abdomen, baixo ventre, virilha. Também fiz a análise combinatória das letras da palavra משיח MáShYaH, isto é, Messias, e descobri em que consiste a salvação que nos oferece o Salvador, e assim confirmei mais uma vez o sentido anal-escatológico do sagrado, recorrente em minhas pesquisas lingüísticas.

M Sh Y H  משיח


M מ = matriz, fonte, água; purificar; transformar
Sh ש = extremidade, ponta; ser vivente; mundo
Y י = mão, dedo; falo; Deus; realizar, fazer
H ח = curvar-se, inclinar-se, orar, rezar; fazer justiça

Y י = mão, dedo, falo
H ח = inclinar-se, dobrar-se, curvar-se; rezar, orar; fazer justiça.
M מ = matriz, fonte, água; purificar; transformar
S (Sh) ש = ponta, extremidade, dente; ser vivente, mundo

MSh מש = massagear
ShM שמ (ou שם) = Deus (HaSheM), céu (ShaMaYM)
YM ימ (ou ים) = oeste, poente [traseiro]*
MH מח = cérebro, medula, polpa
YSh יש = substância, essência
HM חמ (ou חם) = quente; calor, febre, quentura
ShY שי = presente, dádiva
HY חי = vida

MáShYaH משיח = ungido, consagrado, escolhido, eleito
MiShHáH משחה = ungüento, pasta, pomada; porção
MáShaH משח = ungir, untar, besuntar, consagrar; medir
MáShaSh משש = tocar, apalpar, tatear, mexer
MiShSháH משאה = massagear, esfregar, friccionar
HoMéSh חמש = abdomen, baixo ventre, virilha
SiMMaH שמח = causar alegria, prazer, regozijar, fazer feliz
SáMeH שמח = alegre, contente, jubiloso
SiMHáH שמחה = festa; alegria, regozijo

HáMeSh חמש = cinco; arrumar, equipar, ordenar para a batalha
MaShSháÁH משאה = dever, obrigação, dívida
MaSSáÁH משאה = subida, elevação
MáSháH משה = tirar da água, puxar para fora

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YM ימ (ou ים) = oeste, poente [traseiro]*

Por contingências geográficas, para os hebreus/judeus, o Mar Mediterrâneo situa-se a oeste. Talvez por isso é que uma mesma palavra, em hebraico, signifique mar e oeste. E o poente, em termos simbólicos, está atrás de nós, em nosso traseiro, à retaguarda. Em tupi-guarani, emprega-se a expressão yandecupepy para designar o oeste, isto é, aquilo que está em (py) nossa/nosso (yande) costa / traseiro (cupe).

Nesta pesquisa, levei em conta os significados simbólicos de cada letra do alfabeto hebraico, segundo consta em livros de Cabala e em fontes diversas não citadas.

As formas verbais aqui traduzidas no infinitivo, estão no pretérito, no original, como se pode ver, p. ex., no Dicionário Hebraico-Português, de Rifka Berezzin.


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DICIONÁRIOS CONSULTADOS:

Dicionário Hebraico-Português. Jaffa Rifka Berezzin. São Paulo : EDUSP, 1995.

Dicionário Hebraico-Português & Aramaico-Português. Nelson Kirst et al. São Leopoldo / Petrópolis : Sinodal / Vozes, 1988.

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Alerto aos puristas e incautos que os verbos aqui traduzidos no infinitivo, na realidade, estão no pretérito, terceira pessoa do singular, como aparecem em dicionários modernos de hebraico, conforme explica a professora Jaffa Rifka Berezzin, em seu Dicionário Hebraico-Português.

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Terra Sem Mal - versão teatral



As cenas dessa minha pecinha de lycra azul & rosa, "Terra Sem Mal - um mistério bufante & deleitoso", são apenas esboços para a montagem que ainda pretendo realizar, com mais atores, recursos etc. Aqui ofereço uma pequena e humilde amostra do que chamo de teatro alegórico.

TERRA SEM MAL – um mistério bufante & deleitoso - Sinopse

A partir da mitologia dos índios brasileiros, e outras referências, oscilando entre o épico e o místico, o sério e o cômico, a peça Terra Sem Mal é um exemplo de teatro alegórico. Evocando os autos sacramentais, as propostas éticas e estéticas de Brecht e Artaud, entre outros, a peça satiriza, em clima de festa, rave, carnaval e ópera, a busca infrutífera do paraíso, em todos os tempos e lugares, e sugere onde se pode encontrar o objeto de tão apaixonado desejo: a zona proibida do corpo.

A peça mostra, na primeira parte, vários personagens, em tempos e lugares diferentes, em busca da "Terra Sem Mal", do paraíso, da utopia. Na segunda parte, enfim, manifesta-se um Tupã gay e debochado que revela ao pajé que o invoca o que é e onde se encontra o lugar tão desejado. Na terceira parte, entre outras coisas, ocorre o confronto entre um tipo de buscador, o Sinhozinho (bofe, caraíba, imperialista etc) e a Bicha papona, a monstra guardiã do lugar sagrado, a Terra sem mal, que poderia ser o Espírito Santo, já que um grupo de índios guarani, conduzido por Tatanty Uá Reté, uma vidente, veio parar aqui, no final dos anos 1960, acreditando estar no solo espiritossantense o tão suspirado paraíso indígena.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Temei e tremei, povaréu: chegou a monstra sagrada!

ASSIM DISSE A MONSTRA

Eu sou a monstra sagrada
eu sou a bicha papona
eu sou a jaguatirica
dos vales
eu sou a suçuarana
dos montes.
Eu sou o maracajá.

Sou demônio, anjo e deus
guardião de mil segredos
e do sonhado GRRRAAAALLLL.

Eu sou o terror das selvas,
eu sou o horror das trevas,
todos me amam e temem.

Por amor a Yanderu,
sirvo a Jurupari,
finjo-me de Anhangá,
Caipora e Saci.
Sou um anjo travesti.

Curinga, proteu
dez mil faces tenho.
Em todo e qualquer
lugar estou eu.

Eu sou o querubim do tabernáculo
e o anjo da espada flamejante
e o tigre de Blake e de Borges
e a pantera de Dante, e o leopardo
de Eliot e Daniel
e o dragão do Jardim das Hespérides
e a besta do Apocalipse
e a serpente do paraíso.

Sou o próprio Chupacabra.

Pantera rosa-shocking
jaguar azul-bebê
tigresa rosicler
sou cheia de gatimonhas
mas ronrono de ternura
e me enrosco todinha
em torno do meu dono:
aquele que a todos ama
e de todos é o amo.

Não me venha com bravatas e esconjuros
e nem me torne presa, caça ou vítima
de sua estupidez civilizada.
Sou uma besta sagrada e protegida
um animal santo e exijo
todo o respeito devido
à minha divina estirpe.

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Este poema, do meu livro inédito Terra Sem Mal, é uma das falas da monstra guardiã do lugar sagrado, morada de Yanderuvuçu (Nosso Grande Pai), o Deus maior da mitologia guarani. Como se vê, reconto e atualizo mitos bíblicos e indígenas, crio alegorias, tranço liames entre culturas diversas, ma non troppo. Também misturo História e ficção. Amalgamo vasta gama de referências, com a graça do meu estilo transformista, este transgênero literário, híbrido de poesia, teatro, romanceiro, tratado filosófico & religioso, tese científica e o diabo a quatro, ou melhor, de quatro.

Nesta fala da monstra sagrada, ela se apresenta ao mocinho & herói & colonizador, num confronto neobarroco, que lembra personagens de Gil Vicente e Anchieta. No diálogo que se estabelece (em breve, postarei a fala do mocinho), também ousei transformar o previsível confronto entre o Bem e o Mal em tesão recíproco e agarração erótica entre o Cristo e o Anticristo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A bicha papona da poesia brasileira

Em poucas horas de contato entre nós, sem que eu tivesse tempo de falar de minha poesia, o meu sobrinho Henrique Aleixo Motta intuiu as cores do universo do jaguar azul-bebê, a pantera rosa-choque, a monstra sagrada, a bicha papona da poesia brasileira: Waldo Motta.

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Enquanto não sai o meu novo livro Terra sem mal, você pode ler alguns poemas
meus, éditos e inéditos, através do link seguinte:

http://www.geocities.ws/waldomottapoeta/poesia/poesia.html

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Leia opiniões de vários críticos literários, poetas, escritores e professores
sobre a poesia de Waldo Motta. Disponível em:

http://www.geocities.ws/waldomottapoeta/sobrewm/sobrewm.html

Leia também a minha palestra Enrabando o capetinha ou O dia em que Eros se fodeu,
em 27.10.1999, na mesa-redonda Poesia: Eros e gêneros, no II Seminário de
Poesia: Poesia Hoje, na Universidade Federal Fluminense. In: PEDROSA, Celia.
Mais Poesia Hoje. Rio de Janeiro: 7 letras, 2000, p. 59-76.
Para ler a palestra, faça o download, através deste link:

http://www.geocities.ws/waldomottapoeta/palestra/palestra.html 

domingo, 2 de janeiro de 2011

sábado, 1 de janeiro de 2011

Transpaixão

Coletânea de poemas selecionados de vários livros, Transpaixão (Edufes, Vitória, 2009, 2a. edição), foi adotado para o Vestibular de 2010-12, da Universidade Federal do Espírito Santo.

Interessados em adquirí-lo, entrem em contato com o autor, Waldo Motta. Cada exemplar custa R$ 20,00 (vinte reais), fora despesas postais, em caso de remessa. Eis os meus contatos:
waldo_motta@hotmail.com
waldomotta@bol.com.br
(27)88417348

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Notícias do Paraíso

A maioria dos poemas de Terra Sem Mal, meu livro inédito, satiriza as concepções e as buscas, exaustivas e infrutíferas, de um lugar paradisíaco, em todos os tempos e lugares, tomando como referência a filosofia e os mitos de índios brasileiros, mormente os guarani.

Para os nossos indígenas, a Terra sem mal é um lugar acessível, concreto, alcançável pelos seres humanos, nesta vida, neste mundo. Eles acreditam que esse paraíso é, antes de tudo, um lugar de abundância, alegria e paz. A expressão Terra sem mal (em tupi-guarani: ywy marã ey), literalmente, significaria: Terra (ywy) sem (ey) desordem, conflito, guerra, sofrimento, doença (marã). Embora, já no século XVI, tenha sido definida pelo padre Ruiz de Montoya, como: solo não cultivado, intacto. Esse significado de não cultivado, intacto nos remete para os conceitos de intangível, intocável, longínquo, separado, isolado que permeiam as ideias que fazemos do sagrado, de Deus, do Paraíso etc. Em numerosas referências bíblicas ao sagrado, esse é um lugar intocável, exceto para alguns, em certos momentos.

Lugar de fartura, esse paraíso talvez tenha sido associado, por alguns índios, à sexta capitania – o Espírito Santo – que, segundo Pero de Magalhães Gândavo, era a mais fértil de todas, com infinita caça e infinita pesca e a melhor provida de todos os mantimentos da terra. Isso no final do século XVI. No final da década de 1960, um grupo de índios guarani veio parar no Espírito Santo, acreditando estar aqui o suspirado paraíso.

Acredito que esse lugar tão famigerado é o corpo transfigurado por jejuns, dietas, petum, cauim, cânticos, danças, alegria, prazer, festa. Cronistas que escreveram sobre o Descobrimento notaram que, de tempos em tempos, os karaibas (profetas) visitavam as tribos e, nessas ocasiões, promoviam-se rituais em que os participantes entravam em transe e assim tinham uma visão do paraíso e se encontravam com os seus mortos e os espíritos dos ancestrais. Isso nos permite concluir que a Terra sem mal, isto é, o paraíso indígena, é um lugar simbólico, localizado no corpo, nas entranhas, sendo alcançável pela transmutação alquímica de átomos, células e órgãos de nosso corpo, espelho do universo, templo do Deus vivo.

Poemas diversos de Waldo Motta

Enquanto não sai o meu novo livro Terra Sem Mal, você pode ler poemas de minha autoria, éditos e inéditos, através do link seguinte:

http://www.geocities.ws/waldomottapoeta/poesia/poesia.html

Leia agora um dos poemas de Terra Sem Mal:

MAR DE TANTO SANGUE E FEL

Mar de tanto sangue e fel,
mar amaro, mar cruel,
onde hemos de encontrar
a terra de leite e mel?

Quanto mais os ventos falam
da misteriosa terra,
tanto mais a alma errante
em procurá-la, erra.

Quanto mais perambulamos,
de léu em léu, pela terra,
atrás da terra sem mal,
tanto mais longe iremos
de nosso destino real.

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Neste poema dialogo com, entre outros, Fernando Pessoa, em seu épico & místico Mensagem, vinculando o imaginário edênico dos colonizadores com a filosofia e os mitos indígenas que falam da existência do paraíso terrestre.