terça-feira, 21 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
sábado, 11 de maio de 2013
EU VENCI O DRAGÃO FAMIGERADO
Esse bicho, que vive na transamazônica floresta de símbolos, é o flagelo de incontáveis gerações de tolos e ingênuos.
Nas culturas judaica e cristã, encontra-se o mais astuto dos animais, a serpente do paraíso, que se revela depois como a besta apocalíptica.
Confiante no augúrio de meu nome, ajudado por algum Oxossi, embrenhei em selvas de letras, números, símbolos e códigos, e aqui ofereço uma das tantas presas de minhas caçadas.
(Waldo Motta)
domingo, 28 de abril de 2013
EXERCÍCIOS BÉLICOS WALDIVINAIS
(preparação para a guerra santa)
WALDIES IRAE
SARAIWALDAS
VENDAWALDOS
WALDILÚVIOS
TERREMOTTAS
MAREMOTTAS
TSUNAMOTTAS
WALDEUS
WALDIABO
SALWALDOR
MALWALDO
(20.01.2012-20.04.2013)
§§§
DIES IRAE
SARAIWALDAS
VENDAWALDOS
WALDILÚVIOS
MAREMOTTAS
TERREMOTTAS
WALDEUS
WALDIABO
SALWALDOR
MALWALDO
(20.01.2012)
POESIA: MANDRACA, ORÁCULO, EBÓ, MAGIA
Algumas vezes, treinei com o vento, mas sem muito sucesso aparente. Houve dias em que obtive ótimos resultados; e alguns em que não fui obedecido pelas entidades do ar, que estão entre as mais rebeldes. Preciso exercitar mais. Sou um mago relapso; confio muito na providência do meu anjo.
Contudo, desde o início de 2009, vez por outra, recito alguns versos, que garatujei mas não me preocupei em burilar, aperfeiçoar, para baixar o calor e amainar o clima na Terra, invocando brisas, ventos refrescantes.
Agora, leio a notícia abaixo. Não posso garantir, mas não é impossível que minhas providências mágicas tenham surtido o efeito desejado.
http://
Aqui, versos de poemas ainda não definidos, works in progress, feitos com a intenção de aplacar a fúria da natureza e criar um novo tempo, uma nova realidade:
Haja frescura em todo o planeta!
Haja frescor na terra inteira, ordeno!
Refrigerem a terra, ventos brandos,
brisas leves, aragens refrescantes!
(13.12.2010)
Encaro o Sol e ordeno:
meu bem, abaixe a crista!
(26.01.2009)
Que o meu amável frescor
arrefeça o calor
e a minha gaia frescura
esfrie a alta quentura
e baixe a temperatura
e aplaque a grande fúria
da maltratada Natura!
(26.01.2009-17.04.2013)
sexta-feira, 19 de abril de 2013
POÉTICA
(Texto extraído de "Arte Culinária: do Abaporu à Bicha Papona", que sairá em breve)
Poetas não são apenas fazedores de versos, mas sobretudo criadores de novas realidades abstratas e concretas, pessoais e sociais. A poesia é a mãe de todas as artes, ciências e religiões, filhas ingratas. Pode ajudar a resolver os enguiços, impasses, aporias, quiprocós criados pelas filhotas irresponsáveis.
Logopeia: renovação, inovação de ideias, temas, abordagens, perspectivas; reflexão contra a esclerose, a poesia oca e boboca, o torpor, a modorra; a anorexia temática, a anemia espiritual, a mornidão apocalíptica. Leitores não se interessam por ideias e obras que pouco ou nada oferecem (Pound).
Destoar do panorama melancólico: gorjeios maçantes, subjetividade rasa; bebuns de estesias nos botecos e igrejinhas; noviços do sublime, devotos da musa automática & psicodélica, sereias desafinadas, parcas porcas, aporia, entropia.
Diálogo intertextual, intercultural. A poesia é um diálogo entre autores, e destes com os leitores. Paródia: debochar, avacalhar. Palinódia: desdizer, redizer; crítica e reformulação de ideias.
Poeta: vate, profeta, mago. Poesia: magia, vaticínio, profecia. Poesia: arte, ciência, religião. Poesia: revelação, criação.
Boi na frente, carro atrás: verdade e beleza; ética e estética; conteúdo e forma.
Poiesis: autopoiesis, metapoiesis, mitopoiesis.
Valorizar as formas simples, tradições populares, lendas, mitos.
Reabertura da agenda modernista (expressão de Raul Antelo): antropofagia, linguagem coloquial, temas nacionais, humor. A prova dos nove é a alegria, como Oswald dizia e repetem os Waldos. Já disse por aí, quando era Valdo: espero que o mundo acabe em gargalhadas – dos que restarem.
A crítica é mais eficaz com humor, ironia. Ridendo castigat mores.
Malandragem waldivina, utilizo várias máscaras e o burlesco em minha catequese, para seduzir e converter racionalistas selvagens. Iumna Maria Simon, no ensaio Revelação e Desencanto, já havia notado em minha poesia, particularmente no livro Bundo e outros poemas, essa relação entre sagrado e comédia, a ambivalência do profeta que se faz arlequim.
Waldo Motta
quarta-feira, 3 de abril de 2013
POEMAS INÉDITOS
- antigos e recentes -
- antigos e recentes -
POESIA
I
AIS
PIOS
E ÓPIOS
-- SÓ ISSO?
§§§
POESIA II
AIS
PIOS
ÓPIOS
-- E SÓIS!
§§§
POEMAGIA
NÃO DESCREVER ESTA REALIDADE
MAS ESCREVER OUTRA REALIDADE
§§§
AUTOPOIESIS
A palavra me escreve
§§§
ARTIFÍCIOS
Artista é que nem pavão
e os bichos da natureza:
artimanhas da beleza
são truques de sedução.
§§§
EFEITO SECRETO
Um poema age no mundo,
mesmo que ninguém o leia.
Atua em segredo e fundo,
tudo enreda em sua teia.
AIS
PIOS
E ÓPIOS
-- SÓ ISSO?
§§§
POESIA II
AIS
PIOS
ÓPIOS
-- E SÓIS!
§§§
POEMAGIA
NÃO DESCREVER ESTA REALIDADE
MAS ESCREVER OUTRA REALIDADE
§§§
AUTOPOIESIS
A palavra me escreve
§§§
ARTIFÍCIOS
Artista é que nem pavão
e os bichos da natureza:
artimanhas da beleza
são truques de sedução.
§§§
EFEITO SECRETO
Um poema age no mundo,
mesmo que ninguém o leia.
Atua em segredo e fundo,
tudo enreda em sua teia.
§§§
POIESIS
MITOPOIESIS
METAPOIESIS
AUTOPOIESIS
(2012)
§§§
SENHA
hora propícia
porta do fundo
chave na mão
(02.01.2012)
§§§
AOS PÉS DA COBRA GRANDE
Iconha ou Jacaraípe?, hesita Drida,
mais para dríade desencantada, este sábado,
neste bosque de solidão, Jardim da Penha.
Iconha ou Jacaraípe? Que importa aonde ir?
Sortearemos a sorte da própria sorte!
Recorramos ao oráculo, mas aperta um, primeiro,
e tratemos de secar este litro de conhaque.
A sorte há de sortear-se por meio de nossas mãos,
nossos pés volitivos dançarão roteiros ébrios,
regidos com rigor pela música das esferas.
Que importa aonde ir este final de semana?
Que importa aonde ir em qualquer tempolugar?
Que importa aonde ir? Vamos beber e fumar!
Ouroboros sempre há de morder a própria cauda,
ciclo do tempo, círculo fechado, eterno circo.
Assim ou assado seja, Ará Mbói! Arô Moboi!
(10.09.1986)
§§§
PEGAÇÃO SAGRADA
Põe tua mão aqui debaixo
de minha coxa, onde Abrahão
pediu que um servo o tocasse,
em nome do Deus dos deuses,
Senhor dos Céus e da Terra,
onde o anjo do Senhor tocou
o relutante Jacob, que assim
se transformou em Israel,
que lembrou da sagrada aliança
em seu leito de morte, onde pediu
ao mais amado filho que o tocasse
no mesmo lugar sagrado e consagrado.
(30.07.2009)
§§§
SENHA
porta do fundo
hora propícia
chave na mão
(02.01.2012)
§§§
§§§
REPENSANDO MALLARMÉ
Não li todos os livros, mas já sei
que a carne é alegre, e o espírito
tem sido um tolo e desastrado rei
que nem sequer conhece o seu palácio.
Fugir, fugir, para onde? Nem as aves
são livres neste mundo; eu não irei
para lugar nenhum, deixem-me aqui.
Não há por que fugir, e nem de quê.
O jardim que anelo está em mim,
nesta ilha central, e o mar é o amor.
.......................................................
(2012)
Não li todos os livros, mas já sei
que a carne é alegre, e o espírito
tem sido um tolo e desastrado rei
que nem sequer conhece o seu palácio.
Fugir, fugir, para onde? Nem as aves
são livres neste mundo; eu não irei
para lugar nenhum, deixem-me aqui.
Não há por que fugir, e nem de quê.
O jardim que anelo está em mim,
nesta ilha central, e o mar é o amor.
.......................................................
(2012)
§§§
POESIA: REVELAÇÃO
Tenho falado muito de poesia como construção, criação de realidades, pessoais e sociais, históricas, e não apenas poemas, objetos estéticos. Insisto numa perspectiva mágica, uma ação criativa e transformadora da vida e seus impasses. Poesia: arquitetura, engenharia; criação e transformação da história.
Enfim, a poesia como um processo. E também produto. Mas sempre um fazer, uma ação ou realização humana, via palavra (e outros códigos, por que não?).
Enfim, a poesia como um processo. E também produto. Mas sempre um fazer, uma ação ou realização humana, via palavra (e outros códigos, por que não?).
Entretanto, quase nada falo do outro lado: a revelação.
Sem negar o quanto possa ter de místico, é preciso entender que a revelação não precisa necessariamente ser de coisas, fatos ou verdades de outro mundo, fora ou longe do nosso. Conhecemos tão pouco da realidade dada, herdada, ao alcance de nossos sentidos, tão limitados e confusos.
Existe muita mistificação em torno do fenômeno da poesia, como se a inspiração fosse algum recado de outro mundo. Pode até ser, em casos raríssimos, mas ninguém que eu saiba está disposto a adotar a poesia como religião, exceto talvez este que vos fala. Inspiração, para mim, não precisa ser mais que percepção, acesso - intuitivo, acidental ou metódico - a informações guardadas na memória da humanidade.
domingo, 13 de janeiro de 2013
POIESIS: A MAGIA DE WALDO MOTTA
Estou sempre martelando que arte é magia. Que poiesis é construir novas realidades sociais, e não apenas esses objetos estéticos que chamamos poemas. Mas não basta pregar; por isso, dou exemplo.
O poema ACEILOPTU-EUCALIPTO é um protesto contra a monocultura de eucalipto. Nele se harmonizam ética e estética, engajamento e arte, política e espiritualidade.
É um poema anagramático, escrito com apenas 9 letras, as letras da palavra EUCALIPTO.
Eu acompanhava a luta de índios e quilombolas pela recuperação de suas terras, no ES, e me afligia por não saber como ajudar nessa luta.
Numa madrugada insone, repensando a situação, devo ter sido visitado pelo espírito Eucalyptus (grego: boa cobertura, bem coberto), que se descobriu para mim, e me revelou os seus segredos.
Reza a lenda que o anagrama é uma revelação, feita por algum espírito ou anjo ou divindade a um determinado poeta.
A técnica anagramática faz parte dos procedimentos cabalísticos empregados no desvelamento de significados secretos nos livros sagrados.
É um recurso mágico.
Poucos dias após a conclusão do poema, final de 2006, foi alcançada uma grande vitória na luta dos índios, que tiveram suas terras devolvidas.
§§§
ACEILOPTU : EUCALIPTO
ali lá cá acolá
pocou pipocou o pito
ecoou a lacuaca
e o catupê total
a patota apta atua
apupa apita pia
acua cutuca ataca
o capeta o capital
a patota capetal
leal ao ioiô capeta:
a alcateia patola
a patuleia pateta
aia cética patau
e a elite aética
culta puta e lalau
ataca o culto leal
ao capeta ao capital
e o coetá letal
e o pau apocalipto
apupa a patetice
a tolice a apatia
apela ao tapuial
apela ao caetê:
ó paca tatu cutia
ó cutia tatu paca
ecoai a lacuaca
alteai o tititi
apoiai o catupê
atacai o culto leal
ao capeta ao capital
e o coetá letal
e o pau apocalipto
#
o capeta o capital
a patota capetal
tapeia ata coopta
alicia e policia
a patuleia patau
a laia lacaia e laica
aia poaia opaca
pita o ópio potocal
e acata acoita aceita
peia peita e potoca
e acoita aceita acata
a ala áulica e louca
a patota capetal
a alcateia leal
ao capeta ao capital
#
a patota apta atua
apupa, apita e pia
ataca a laia lacaia
luta pela utopia
ai capeta ai capital
ai patota capetal
cala a tua potoca
caia tua lei caótica
caia tua ética louca
caia o teu caô político
caia o coetá letal
caia o pau apocalipto
#
e a patota catita
cutia paca tatu
tapeti teiú cuati
cuatá e caitetu
apoia a luta épica
pela utopia tupi
ataca o culto leal
ao capeta ao capital
e o coetá letal
e o pau apocalipto
ecoa a lacuaca
alteia o tititi
catapulta o catupê
o auê apocalíptico
até ao ioiô capeta
ao capitólio político
e à elite aética
e à patota capetal
a patota apta atua
apupa apita pia
ulula ulula ulula
e o capeta capitula
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